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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Preciso Retornar.


Preciso retornar.

Preciso retornar, isto é um fato! Retornar ao ponto onde estive, a um lugar que não me traz boas lembranças, que não me fez bem. De onde as últimas sensações que ficaram em mim registradas estão ligadas ao medo, à ansiedade, à dor, ao sentimento de “menos valia”, ao pânico.
Mas tenho que voltar. Por motivos outros, alheios ao desejo da alma; uma necessidade objetiva, num “precisar” material.
E esse “precisar” dói na alma, pela falta de condições desta se ver retornando sob este manto, esta sombra, sob a pressão que se faz imperativa de uma volta a qualquer custo. Mas a que custo?
Desejo, todavia, o retorno. Porém não sei ao certo se o quero porque preciso ou se preciso querer, experimentar, testar os limites. Mas a que custo?
O querer e o precisar assim se confundem por vezes, noutras estão em lados opostos. Tão distantes que é difícil imaginá-los juntos.
E, nesse paradoxo, me encontro, alma perdida e confusa, que busca um centro que a sustente nesse caminho. Mas não agora um centro exterior, mas alma que  busca dentro de si o que a sustenha por fora e por dentro - e a partir daí.
O retorno, ou ponto de partida? A retomada ou o início de algo novo, num mundo velho e arcaico?
O medo, a dúvida, a angústia, ou a força, certeza, a paz? O que define os estados, o caminho, a forma e a cor que terão? Onde encontrar a cor certa que preencha o vazio e atenue as discrepâncias e harmonize as tonalidades?
O ritmo, a busca, a linha, a fluidez, a vida pulsante aprisionada em teias artificiais. Mentes condicionadas ditam a vida onde o ritmo é contido e cortado; e o grito, abafado, suprime a cor e exclui a vida.
Mundo cinza, negro, de sombras e rigidez. Onde a vida não pulsa – não pode pulsar - , o pensamento, sem permissão de ser livre vê as mãos atadas, olhos cerrados, boca fechada. Não mais há som, brilho, cor, vida, esperança.
Regresso, volta, retorno, necessidade, medo, angústia, dor, cor, som, luz, indefinição; sensações e fatos, discrepâncias, o subjetivo e a re
alidade objetiva, a vida permeia a morte, a solidão; o porém que permeia o retorno.
Preciso retornar...mas a que custo?
Claudia Stella.

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