As cores que cercam a vida são de paletas variadas: são vivas, vibrantes, calmas, pulsantes. Estão harmonizadas de acordo com o motivo, ou estão em sua desarmonia planejada. Nada é arbitrário em seu arranjo.
Mas existem “pontos cegos”, lugares de onde a cor foi definitivamente desarraigada. Ela esteve lá, não mais está. Esse lugar sem cor, cinza, não “vê” os sentimentos que emanam das cores.
Não sente o frio calmo e suave do azul, sua profundidade que apazigua a alma, ou a vibração do vermelho em sua paixão pela vida. Existe apenas o cinza em suas variantes, neste lugar sombrio.
São seres estes os que habitam este lugar da “não-cor”, aqueles que amargam a vida a olhar as tempestades e nunca os dias claros e repletos de cores. Tais dias inexistem neste espaço sem cor.
Ai da alma colorida que precisa estar neste lugar, local que rejeita as cores e delas se afasta. Ela sofre ao se ver acinzentada – não pode vibrar suas cores, seu azul não transparece - de nada adianta - ela não pode estar ali por muito tempo.
Este cinza contamina e dele não se extraem outras cores vibrantes, mas pálidas e corrompidas tentativas de ser cor. E sua paleta exclui a paleta variada e vibrante da vida que pulsa na alma cheia de cores.
A alma, a cor, a vibração da vida precisam ver os dias claros e cheios do colorido infinito das paletas da vida – a cor da vida que pulsa.
Claudia Stella.
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