O sentimento que invade a alma: o medo de ser. O ser diferente se perde em meio àquilo que não compreende.
Não compreende, não é compreendido e tenta ser camaleão. Ser que, ao se fazer camuflar não logra longo êxito, senão nunca saberíamos de sua existência. Logo é revelado e, correndo, busca outro refúgio momentâneo para, novamente, tornar a correr.
O sentimento que invade a alma: o ser diferente que é igual aos outros e, no que difere não é reconhecido. Não lhe é permitido, na verdade, diferir. Tem de ser igual, mesmo não o conseguindo.
Sofre ao ser igual, sofre ao se ver diferente. Sim, somos todos iguais, mas o somos com nossas diferenças - esse é o senso comum, mas desde que as diferenças não se apresentem.
A dor que brota da alma é a dor de não conseguir se ver igual, a vergonha, o medo, a angústia, o desassossego.
Como tomar forma diversa, como caber em fôrmas, fórmulas, padrões que não o levam em conta?
O sentimento da incompreensão, que sofre a dor dilacerante. O ser igual sendo diferente, o diferente sendo igual.
O sentimento, o medo de ser, de ser diferente, de ser igual, que, sem saber, se perde em meio àquilo que não compreende.
Claudia Stella.
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