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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O custo da alma vendida





O custo da alma vendida em meio aos devaneios da vida sem sentido, aliás, com sentido: sentido do não ser, do não existir.
Alma escrava do fluxo contínuo de valores medidos e pesados, contados em milhões. Vida perdida dentro do sistema, sem cor, sem linha, sem forma. Sistema preso, sórdido, vendido.
Alma que sustenta o que não pode suportar e que, açoitada dia-a-dia, não pode correr. Quer fugir, está presa. Não pode subir, não é permitido ascender.
Seu lugar, o chão frio dos que se fazem chão, de onde não podem ou querem sair. Pavimento gélido, duro, onde não há calor, suavidade, aconchego.
O valor é dado sobre o todo, não há o ser, é o não-ser e este valorizado. Este é o custo requerido, o fim proposto. O único desejo de almas vazias que se destinam ao nada, sem cor, sem calor, sem expressão, sem vida.
Este é o custo da alma vendida.


Claudia Stella.

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