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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Tarso Genro, a socialização das riquezas e a greve no Banrisul

Em Buenos Aires, há alguns dias atrás, ante uma platéia de representantes de governos, sindicalistas do mundo todo, universidades, Tarso Genro falou bonito:

"Tarso defendeu que o desenvolvimento da nova economia precisa ser moldado por um contrato social que "expanda as possibilidades de socialização das riquezas e da qualidade de vida para a cidadania", evitando que seja apenas mais um processo espontâneo de acumulação capitalista. " Pena ser apenas mais um exemplo da velha retórica pseudo-socialista.

Na prática, o Estado do RS, maior acionista do Banrisul, se nega a "socializar" as riquezas com os funcionários que contribuem diariamente para gerar cada vez mais lucro para o banco.

Mas o que faz o velho "socialista"? (desculpem-me os socialistas) Apoia, com sua indiferença e omissão gritantes, que as "riquezas" geradas pelo Banco dos gaúchos sejam apenas mais um exemplo de "processo espontâneo de acumulação capitalista".

Segue-se aqui, tão-somente a lógica capitalista denunciada há mais de 150 anos por Marx, de um sistema de escravidão e subserviência, onde o Estado, comandado por um "socialista" nada mais faz do que fomentar ainda mais esse capitalismo naquilo que ele tem de mais cruel: o desprezo pelo ser-humano, pelo "colaborador" (termo moderno para operário, proletário).

Mantendo esses colaboradores num sistema de remuneração em que "o custo do operário se reduz, quase exclusivamente aos meios de manutenção que lhe são necessários para viver e perpetuar sua existência" (Marx), assim o governo de Tarso é o novo senhor feudal, representante da posterior burguesia que se erigiu sobre o trabalho pesado de seus novos escravos proletários, nada muda, o mundo e a vida são circulares.

Assim funciona, na prática o sistema de socialização das riquezas que o Governador Tarso Genro implementou no Estado do Rio Grande do Sul - isso sem falar no que ele está a fazer com os professores.

Senhor Governador, aguardamos ansiosamente que seu discurso bonito se traduza em prática no estado que governas afinal, não estamos mais numa época que não se tenha acesso a informação e onde a simples propaganda seja capaz de ganhar eleições.

Ao contrário, vemos que os trabalhadores ou "colaboradores" - como a hipocrisia capitalista gosta de dizer - estão unidos numa greve histórica que paraliza o Banco do Estado do Rio Grande do Sul há mais de um mês.

E esses colaboradores não fazem menção de abandonar sua luta por aquilo que consideram justo: um plano de carreira eficiente e sem armadilhas; efetiva participação nos lucros do Banco; valorização de funções específicas que estão "esquecidas" pela diretoria; elevação do valor do piso, além de extensão de benefícios para quem estiver em afastamento por motivo de doença - nada mais justo, nada mais social que isto.

Mas seria isto um absurdo? Irão estas reivindicações "quebrar" o banco? São, acaso, inaceitáveis?

Ou não seria antes inaceitável o fato de um governador eleito por um partido historicamente aliado dos trabalhadores e movimentos sindicais ter uma postura tão intransigente e voltada aparentemente apenas para os velhos interesses capitalistas?

Um novo "patrão" do novo "proletariado" o patrão escondido sob a mascara de um  partido, de um socialismo. Na verdade o patrão "socialista" que oprime ainda mais o "proletariado" sob suas ordens, humilhando-os, ridicularizando-os com proposta que não contemplam o básico de suas reivindicações, que jogou seus colaboradores numa greve de mais de um mês e que quer, a todo custo, uma "vitória" que se traduza em esmagamento do movimento grevista, em humilhação e desvalorização de seus "colaboradores".

Mas Tarso Genro falou bonito na Argentina, falou a socialistas como socialista, a sindicalistas como se sindicalista fosse e falou mal da acumulação de riquezas do capitalismo, como se capitalista não fosse.

Sem medo de dizer a verdade, Claudia Stella de Resende

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Tenho pena de Deus

Nietzche uma vez disse que Deus está morto!

Muitos ainda se escandalizam com esta frase.

Outro dia reli um dos meus poemas favoritos de Mário Quintana, no qual ele diz:

"Deus não esta no céu.
Deus esta no fundo do poço onde o deixaram tombar..."

Não consigo afastar o pensamento, ao ler esses versos, de que essa é realmente a situação de Deus hoje: ele esta no fundo do poço...

Ah, Deus...nunca foi tão vergonhoso ser Deus...!

Mas Nietzche não sabia da "missa a metade"- como dizem - e estava a contar uma noticia velha...Deus está há muito tempo morto!

Morto de vergonha de ver como os seus "filhos" se comportam.

Morto de vergonha de ser tido como o autor de um livro tão corrompido, o iniciador de um desastroso "telefone-sem-fio" que tanto mal trouxe, e continua trazendo à humanidade.

Deus se esconde cada vez que invocam seu nome para se apropriarem de recursos alheios, cada vez que espertalhões fingem ser seus representantes para ascender aos mais altos postos de governo.

Deus fez as malas quando teve seu nome ligado a de um deputado racista e homofônico.
Mas já havia mudado de telefone quando, sob sua alegada benção, um ditador exterminou milhões de judeus e um líder religioso, supostamente seu representante, ganhou de presente um estado soberano ao fazer vista grossa a esse genocídio.

Deus mandou dizer que não está, mudou de número, não quer mais ser reconhecido...

Ele tem vergonha...ele está no fundo do poço...e pediu a Nietzche: " - Por favor, diga a eles que eu morri!"

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Desabafo 2- Tragédia em Santa Maria


Barbaridade! Morro e não vejo tudo...

Incrível como o pior do ser-humano também aflora em horas de tragédia como essa que vivemos.

Uns tentam partidarizar a tragédia, outros dar lição de moral, arrotando sua "religiosidade", como se crentes não morressem, não sofressem acidentes, não fossem vitimas de violência, etc.

Vejo as pessoas perdidas, tristes, revoltadas em meio à tudo isso.

Não há explicação, não há consolo verdadeiro em palavras.

Respeitem, se possível, se ainda houver humanidade em cada um de vocês, a dor, o luto, a tragédia de centenas de famílias.

Não é hora de tentar "converter" ninguém com palavras inúteis, frases feitas, "impactantes", pseudo-filosofia, quer para religião, quer para partidos políticos.

Aproveitem essa oportunidade que receberam, cresçam e sejam menos hipócritas!

Claudia Stella...

domingo, 27 de janeiro de 2013

SANTA MARIA, 27/01/2013

Morei em Santa Maria por 5 anos, tenho familiares lá, amigos e professores queridos da UFSM.
Amo essa cidade e hoje choro com ela seus, nossos mortos. Um dia de dor e tristeza que não deve ser esquecido - e não nos deixará, assim como todo luto e perda pelos quais passamos.
Não há como imaginar a dor dos pais e familiares que estão a enterrar suas crianças - sim, os filhos serão sempre crianças para seus pais - eram jovens demais as vitimas de SM, e as famílias sofrerão essa perda eternamente.

Mas podemos nos solidarizar, pois uma parte de nós também se foi hoje. Estamos aturdidos pelas notícias que nos chegam e que especulam sobre as causas de tantas vidas terem sido levadas de forma tão cruel.

Sucessões de erros, de negligência, de estupidez, de ganância que colocaram o lucro à frente da segurança, das vidas de nossos jovens, de famílias...não há explicação, não há resposta que nos satisfaça, nos apazigúe.

Há apenas dor, perplexidade, tristeza!

Em meio a tudo isso vemos a solidariedade nos profissionais de saúde que se voluntariaram a ajudar, das doações, das pessoas que, mesmo de longe, procuram repassar informações pelas redes sociais, que buscam expressar sua dor e compaixão.

Como se as famílias pudessem nos ouvir em meio ao caos instalado em suas vidas nas ultimas horas. De qualquer maneira, queremos que ouçam, que sintam que não sofrem sozinhas, sua dor, embora inimaginável por nós, não nos é ignorada.

Que sejam confortadas de alguma forma, por Deus, por amigos, pelas nossas preces, nossa energia, pela solidariedade e pela justiça.

Que não nos esqueçamos jamais que hoje, 27 de Janeiro de 2013, vidas se foram de forma cruel, desnecessária, e por que se foram. Estejamos mobilizados para cobrar justiça e maior segurança para que jamais tenhamos que sofrer uma tragédia como essa, jamais tenhamos que sepultar nossos jovens, nosso futuro, nossa esperança.

Força Santa Maria!

Claudia Stella.