Sinto cheiro da morte vindo de um lugar distante. Distante hoje, mas próximo demais outrora e em tempos futuros.
Não a morte do corpo à qual estamos todos fadados a enfrentar um dia. Mas a morte da luz, da cor, da vibração, da esperança, do ser, do valor do ser autêntico.
A escuridão que encobre a dor e o sofrimento, não deixa espaço em que se possa ver. Não vemos a busca pela liberdade, a procura frenética pelo ar, pela luz. O ser se perde e sua cor empalidece, caricatura de si; não há vida, não há alegria, energia.
A loucura da morte em vida, de uma vida sem vida. Existência vazia que se encontra a cada dia em lugares sem valores, porém repleto de um valor pesado, pois material; feio, pois corruptível.
O medo dessa forma de vida leva a alma a fugir desse lugar onde a cor não é bem-vinda, sem liberdade, repleto de solidão. Onde o favor se faz por preço e a vida é cotada por metal.
A paz está distante dessa existência. Seres que perderam suas almas em meio a uma caminhada insana e sem paradouros. Almas perdidas não habitam com cores. Se colocam longe da vida, sozinhas, embora acompanhadas.
Seu lugar cheira forte, cheiro de morte, da mortificação do ser, da alma, da esperança, do amor.
Este é o cheiro que sinto e o sinto a cada dia mais perto...e tenho medo.
Claudia Stella
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